• Gabriella Albuquerque

O que nos faz ser quem somos

Atualizado: 19 de jan.


Quem seria eu sem a família que carrego? Mesmo os que se foram em despedidas dolorosas e com vidas breves, deixaram um pedaço para o quebra cabeça de quem sou. Minha mãe e sua imensa vontade de aprender me fizeram uma estudiosa. A introspecção em mim hoje, sem dúvidas, vem de vovó Maria, que nos olha de outro plano, e seu jeito de ser e de me cuidar na casa com quintal. Vovó Salete e seu otimismo e vontade de viver me fazem celebrar cada dia. A dedicação incansável do meu pai para conquistar seus sonhos, me fez corajosa e segura. Sem falar nos vovôs, ambos falecidos jovens, dois homens negros, que viveram tantas batalhas para que eu chegasse nos privilégios do hoje.


Quem seria eu sem as viagens de carro com meus pais, minha irmã e tia Neide? E sem as brincadeiras e brigas com as várias primas nos fins de semana? Se minha irmã não tivesse vindo seis anos depois de mim? Sem nossas implicâncias da infância e o dia que a gente brigou e taquei-lhe um dicionário nela? (ficou tudo bem!). Sem meu irmão 24 anos depois de mim? Com seu jeito único tímido e cheio de energia ao mesmo?


Desejaria fazer faculdade, pós, mestrado, mais faculdade, se meus pais não tivessem precisado estudar enquanto eu era criança? Eu saberia fazer bolos se vovó Salete nunca tivesse feito um na minha frente? Sonharia com "uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer" se vovó Maria não fosse a pessoa com a maior humildade que conheci? Descobriria Hitchcock, inúmeros filmes, séries, livros e informações sem minha irmã?


Teve suor e lágrimas também, não vou romantizar. Não lembro da maioria e os que lembro ou é motivo de gargalhada ou é tema de terapia e quando resolvido também se torna riso (nem todos são resolvidos, ces't la vie).

Os Natais, as piadas dos tios, a confusão, a nova leva de primos, o pudim de mainha, os restaurantes com painho, os tempos de dureza, os brindes, os perdões, as mágoas, os conselhos, a liberdade, os livros lidos juntos e separados, as tias vendo suas lives, os grupos no whatsapp, a saudade, a distância, o afeto. Acima de tudo, o infinito apoio dos meus pais. Quem seria eu sem tudo isso?


Família é a impecabilidade de várias histórias cruzadas, dolorosas e alegres, fazendo a gente ser quem a gente é. A foto com bolo, lá no topo, resume as minhas, somos feitos de comida, café e conversas.


E a eles, especialmente neste mês das mães e da família,agradeço. Vocês foram e são impecáveis nesta trama cheia de nós e laços.


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