• Bruna Tavares

"E se eu cair? Meu bem, e se você voar?"

Todo mundo carrega dentro de si um universo a que mais ninguém terá acesso.



Estar na própria pele e observar as características, sejam elas negativas ou positivas, pode ser um alento, mas também um peso. Vive-se em evolução, mas as influências externas idem, e como tudo está interligado, as mudanças internas também acontecem. Às vezes até mais rápido do que se deseja. Às vezes sem que sejam percebidas. Às vezes causando uma confusão tremenda.


Para completar, ao invés de mergulhar internamente, constantemente se busca respostas no outro, e aí vêm as tão perigosas comparações. Parece que nada positivo temos, enquanto o outro tem a vida perfeita.


Sabemos que não é bem assim…


É preciso tomar conhecimento sobre quem se é e a partir daí traçar seu futuro. De preferência, sem se comparar com o vizinho, o colega de trabalho, porque cada história é diferente e jamais se repetirá. Todo mundo carrega dentro de si um universo a que mais ninguém terá acesso. Justamente por isso não se deve misturar as histórias.


A alta cobrança

De 2020 para cá, atire a primeira pedra quem não já sofreu várias ondas de emoções diferentes com o passar do tempo!


Foto: iStock


No início do ano passado, a ainda maior vivência no mundo virtual trouxe uma obrigação invisível de que todos deveriam seguir à risca o perfil extrovertido e estudioso. Simplesmente seus contatos nas redes sociais passaram a ser formadores de opinião, se mostrar de outras formas e fazer 1001 cursos.


Não é sobre certo e errado, mas sim sobre se deixar levar pelo que alguém está fazendo e é considerado essencial para novos tempos.


Toda uma transformação no cotidiano está acontecendo globalmente, e, obviamente, grandes mudanças internas foram sentidas, mas porque ainda parece, para muitos, uma premissa indiscutível seguir um manual de instruções escrito por uma pessoa com uma história totalmente da sua? E porque segui-lo? Qual a penalidade de seguir um manual escrito por você e não por essa outra pessoa?


No livro da incrível escritora Clarissa Pinkola Estés, A Ciranda das Mulheres Sábias, a presença e o autoconhecimento são as únicas premissas que devem ser seguidas. Sem elas, perde-se a personalidade e a capacidade criativa. Parafraseando a autora, o único caminho a ser seguido é o de uma vida plena, vivida com sentido. Por nós e para nós. O apreço do hoje.



Viver o momento presente

No momento coletivo atual, uma das questões que mais se discute é a necessidade de se viver o agora. Por isso o boom dos aplicativos voltados para saúde e bem estar.


Sempre foi necessário viver o presente, mas a tomada de consciência a esse respeito foi incisiva à medida em que o mundo se viu privado de fazer coisas inclusive tão automáticas, como se arrumar pela manhã para ter um dia inteiro de trabalho no hospital, no escritório, no supermercado, no banco, seja qual for o local de trabalho. Subitamente, essa etapa deixou de existir nas manhãs, e foi substituída por tarefas domésticas, exercícios (para quem faz) dentro de casa, e outras atividades rotineiras dessa parte do dia, e o sair de casa se tornou uma proibição.


Equilibrar tantos pratos - tarefa que já era difícil - se tornou um fardo, transformando a sociedade atual na chamada sociedade do cansaço (inclusive, existe um livro, escrito antes da pandemia, com este título).


Nunca se sentiu tanta necessidade de respirar. E observar o respiro. Meditar. Bem estar. Saúde mental. Palavras repetidas em uníssono quase como mantras depuis 2020.


E a lição inicial do livro é exatamente a de equilibrar os paradoxos. Essa é a beleza desta dádiva chamada vida.


A resposta está aí dentro de você. Se conecte com seu eu e ela virá. Somos levados a acreditar que a solução está sempre no outro (ou a grama do vizinho é sempre mais verde), mas a verdade é que é o autoconhecimento a chave de tudo. Presença em si mesmo.


Parece clichê bater nessa tecla, mas só cabe a você tomar consciência de que necessita refletir, provocar mudanças (caso necessárias) e buscar o melhor para si. Então, naquele dia nublado, mesmo sem ânimo, faça o que você gosta de fazer. De preferência faça isso antes de iniciar suas responsabilidades. Seja uma dança, ouvir uma música, pintar, escrever, ler, meditar, se exercitar, o que for o seu lazer! Antes que você seja um dos números apresentados pelos mais diversos estudos das mais renomadas universidades e institutos de pesquisa sobre as consequências da pandemia. E se você já for um desses números, que essa matéria sirva como um abraço e impulso para você!


#tempoparavocê #useotempoparavocêdoseujeito

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