• Bruna Tavares

Despedidas


Imagem e obra: Bruna Tavares


No ano passado voltei a praticar yoga. Como todo início, foi difícil. Na verdade, dentro do conforto, as coisas são mais fáceis, mas no desconforto, multiplicamos as críticas.


Explico: comecei as aulas ao meio dia, quando o trânsito da cidade é mais quieto do que no início ou fim do expediente. Estava trabalhando remotamente, o que permitia que as aulas ocorressem nesse horário.

Algum tempo depois, mudei de trabalho, e para a modalidade presencial. Precisei mudar de horário, para 7h da manhã. Desde que me mudei de Recife para São Paulo não consegui estabelecer um horário ótimo para acordar, mas posso garantir que 7h da manhã não estava dentro deles. E aí o desconforto começou. O despertador tocava e, muitas vezes, eu o ignorava. Nem sempre conseguia voltar a dormir, mas preferia continuar na cama a me levantar e fazer outra coisa que também me faria bem.


Como alternativa, tentei mudar de horário, mas ou as aulas permaneceriam às 7h, ou às 17h, em que eu também não conseguiria. Restava fazer yoga às 7h. Pensei em desistir, afinal, estava muito desconfortável para mim. Estava exausta, e acordar pouco antes das 7h já com um compromisso me esperando estavam me desgastando.


Parei e refleti: o que está me desgastando é realmente o horário da yoga, que sei que me faz muito bem, ou a forma com que estou lidando com o desconforto de acordar num horário que não está favorável para mim? Diante dessa indagação, passei a me esforçar a não faltar às aulas, por mais cansado que meu corpo estivesse. Afinal, eu somente me arrependeria de não ter feito a aula, mas nunca me arrependi de fazê-la. Muito pelo contrário.


Hoje, com as relações estreitadas com minha yoguinha, me peguei pensando no quão completa e perfeita é essa prática.


Nela, aprendemos a olhar para dentro, mas não apenas de nós mesmos, mas dentro do outro, sem julgamentos. É como aquele ditado "fazer o bem sem olhar a quem". Trazendo essa reflexão para o dia a dia universal, em que em menos de um segundo, temos a possibilidade de saber o que está acontecendo com o outro, ao nosso lado, ou do outro lado do mundo. E pensei: a internet tanto pode ser uma excelente ferramenta, quanto um mecanismo letal. Tudo depende do que você procura, em quem você confia e no que você se ampara.


Minha contribuição para a Tempo Para Você surgiu exatamente desse desejo de disseminar boas práticas para se ter um tempo mais conectado consigo, já que o mais costumamos dizer a nós mesmos para aquilo que nos faz bem é "não tenho tempo".


E não é que eu não tenha mais esse desejo, mas por estar sentindo que eu estava sem tempo para mim mesma, e, consequentemente, para você, resolvi me despedir da TPV. Espero ter te ajudado, no mínimo que tenha sido, nesse tempo que passamos juntos. Tivemos lindas trocas e espero que continuemos tendo, seja aqui na TPV (como leitora, fã de Gabi e colaboradora quando possível :) ou fora das telas!

Um beijo,

Bruna

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